terça-feira, 17 de setembro de 2013

Franz Kafka - vida e obra

Franz Kafka


1883 - Em 3 de julho nasce Franz Kafka, em Praga, cidade da monarquia austro-húngara.
1901 - Conclui o curso secundário e ingressa na Universidade Alemã de Praga.
1904 - Conhece Max Brod.
1905 - Escreve Descrições de uma Luta.
1906 - Forma-se em Direito.
1907 - Começa a trabalhar me uma Companhia de seguros.
1908 - Passa a trabalhar em uma companhia de seguros de acidentes do trabalho.
1911 - Viaja para França, Itália e Suíça com o amigo Max Brod.
1912 - Conhece Felice Bauer na casa de Max. Escreve O Julgamento, A Metamorfose e os sete primeiros capítulos de América.
1913 - Publica Meditações e O Foguista.
1914 - Fica noivo de Felice Bauer, mas rompe o noivado poucos meses depois.
Começa a escreve O Processo. Em outubro escreve os contos Na Colônia Penal e Diante da Lei.
1915 - Publicação de A Metamorfose. Franz Kafka recebe o prêmio Theodor Fontane.
1917 - Franz reata o noivado com Felice. Em agosto descobre que está com tuberculose e afasta-se do trabalho. Pouco antes do final do ano, rompe mais uma vez o noivado com Felice.
1919 - Conhece Julie Whoryzek e firma noivado com ela. Escreve Uma Carta ao Pai. Dois dias antes de casar, rompe o noivado.
1920 - Início da troca de cartas com Milena Jesenská, que mora em Viena. Escreve diversos contos, entre os quais Poseidon, Noites e Sobre a Questão das Leis.
1921 - Escreve Primeiro Sofrimento.
1922 - Escreve O Castelo, Um Artista da Fome e Pesquisas de um Cão.
1923 - Conhece a judia berlinense Dora Diamant. Muda-se para Berlim, onde divide um apartamento com Dora. Escreve  Uma Pequena Mulher e A Construção.
1924 - Escreve Josefine, a Cantora. Muito doente, retorna para a casa dos pais, em Praga. É internado num sanatório perto de Viena, na Áustria. Em 11 de maio recebe pela última vez a visita do amigo Max Brod. Morre em 3 de junho, antes de fazer 41 anos. Em 10 de junho é sepultado no Cemitério Israelita de Praga.
1925 - Publicação de O Processo.

Na segunda metade do século XIX, Áustria e Hungria formam dois Estado siguais, cada um com seu sistema político próprio e sua respectiva capital. Em comum têm o mesmo imperador: Francisco José. Na monarquia austro-húngara vivem numerosas minorias étnicas, entre as quais os tchecos. Extremistas, reivindicam ampla autonomia e provocam frequentes incidentes políticos e desordens de rua, sobretudo em Praga.
É nessa cidade que, em 3 de julho de 1883, nasce Franz Kafka, primeiro filho de Hermann Kafka e Julie Lowy, um casal judeu de classe média em ascensão. Hermann é um próspero comerciante, e Julie pertence a uma família abastada. Dois anos depois nasce o irmão Georg, que morre no ano seguinte. Aos quatro anos ele ganha outro irmão, Heinrich, que morre antes de completar um ano. A primeira irmã de Franz, Gabriele, nasce quando ele está com seis anos. Nasceriam ainda mais duas irmãs: Valerie, em 1890, e Ottilie (Ottla) em 1892. O jovem Franz é quieto e reservado, mas gosta de escrever peças para as irmãs representarem. Além disso, lê livros compulsivamente.
A maioria das pessoas em Praga fala tcheco, mas a língua da elite é o alemão. O desejo paterno de ascensão social impõe que Franz estude em colégios alemães, e não em tchecos. Na escola ele aprende também grego e latim.
Sua formação religiosa limita-se praticamente à cerimônia do bar mitzvah e a frequentar a sinagoga quatro vezes por ano com o pai, o que não é suficiente para torná-lo um judeu otodoxo.
Em 1901, aos dezoito anos, Franz concluiu o curso secundário no Liceu Alemão e ingressa na universidade alemã Charles Ferdinand, onde a princípio decide estudar Química para acompanhar um amigo. Duas semanas depois, transfere-se para o curso de Direito. No semestre seguinte, tenta Literatura Alemã, mas não se adapta e volta para o Direito. É nesse curso, em 1904, que conhece um estudante, Max Brod, escritor de certo prestígio. Ele e Franz seriam amigos pelo resto da vida.
Desde 1898 Franz tentava escrever, mas, insatisfeito com os resultados destrói suas primeiras obras. A primeira história completa, Descrição de uma Luta, é de 1905. Em 1906 Franz conclui o curso de Direito.
Em 1907 passa a trabalhar em uma companhia de seguros, mas logo pede demissão, por considerar a carga horária abusiva e as condições de trabalho intoleráveis. No ano seguinte começa a trabalhar numa companhia de seguros de acidentes do trabalho, onde permaneceria por quase toda a vida. O novo emprego, embora não fosse exatamente gratificante, era de meio período, o que lhe dava tempo para pensar e escrever.
Em 1911 Franz viaja à França, Itália e Suíça com Max Brod e passa a se interessar por teatro iídiche (idioma familiar dos judeus na Europa).
Durante a juventude e a idade adulta, Franz é bastante namorador, mas não se envolve profundamente com nenhuma mulher, sempre rompe os relacionamentos. Aparentemente, para ele, assim como para a maioria das pessoas, na época as mulheres ou são muito comportadas ou não são de boa família. Portanto, um relacionamento maduro com uma mulher que ele respeitasse e que ele gostasse era algo impossível, como logo descobriria Felice Bauer.
Na noite de 13 de agosto de 1912, Franz conhece Felice Bauer e apaixona-se por ela. Nessa época ele mora em Berlim, na casa de Max, e passa a escrever longas cartas a Felice, falando principalmente de seus conflitos internos. E é nesse primeiro arroubo de paixão que ele escreve O Julgamento, a ela dedicado.
No final de 191, ao mesmo tempo que trabalha em América, escreve aquela que se tornaria a sua obra mais famosa, A Metamorfose - em que o personagem Gregor Samsa, certa manhã, acorda transformado em um gigantesco inseto.
No ano seguinte, convencido por Max, Franz publica Meditações, uma coletânea de contos, e O Foguista, também um conto e primeiro capítulo do livro América.
Com a saúde frágil, aos trinta anos Franz é internado em um sanatório em Riva, na Itália, para se recuperar. Aí conhece Gerti Wasner, uma jovem suíça de dezoito anos, e nasce entre ambos, uma forte afeição. Franz passa o empo escrevendo contos de fadas, que lê para ela durante o café da manhã. O relacionamento dura apenas dez dias, mas parece ter exercido forte influência em Franz.
Enquanto isso o namoro por correspondência com Felice continua. Franz escreve-lhe todos os dias, sempre apontando suas próprias fraquezas, até que a pede em casamento, por carta, em 1913 e ela aceita, embora na mesma carta Franz discorra sobre os motivos pelos quais considera que não seria um bom marido para ela.
Grere Bloch, uma amiga de Felice, passa a escrever para Franz, atuando como intermediária entre os dois. Trocam tantas cartas que nasce uma sólida amizade entre eles.
Mas parece que Grete queria mais que isso. E talvez tenha conseguido. Em carta escrita a uma amiga 25 anos depois, em 1940, Grete conta que teve um filho de Franz em 1914 e que ele teria morrido em 1921, com sete anos. Não há evidência sobre o caso, e Grete alega que Franz nunca soube da existência da criança, o que é pouco provável, já que continuaram em contato por alguns anos depois disso. Além do mais, com seus bloqueios e neuroses, Kafka não teria atido um caso com uma moça respeitável. Essa carta foi incluída por Max Brod na segunda edição de sua biografia de Franz Kafka.
Franz rompe o noivado com Felice em 1914, mas continuam a corresponder-se. Nesse mesmo ano começa a escrever O Processo. Ainda em 1914 escreve Na Colônia Penal e Diante da Lei. A Metamorfose é publicada em 1915, pelo editor Kurt Wolff Verlag, que acredita no sucesso da obra, embora Kafka tenha permanecido quase anônimo. Seu prestígio aumenta razoavelmente quando ele ganha o prêmio Theodor Fontane mais oitocentos marcos.
Em 1917, depois de passar uma semana com Felice em Marienbad e de viajar com ela para Budapeste, Franz pede-a novamente em casamento.  Um pouco farta das inseguranças emocionais de Franz, Felice decide terminar de vez o relacionamento.
Nesse período ele já começa a apresentar os primeiros sintomas de tuberculose. Vai então morar com a sua irmã Ottla em Zurau, a noroeste de Praga, região sossegada e salutar que muito o agrada. Aí escreve uma coletânea de provérbios e pensamentos. Passados os oito meses mais felizes de sua vida, Franz retoma a Praga.
Apesar da saúde fraca, novamente Franz fica noivo em 1919, dessa vez de Julie Whoryzek, filha do zelador de uma sinagoga, o que deixa seu pai, o velho Hermann, arrasado e decidido a vender se ponto de comércio e sair do país para evitar a vergonha que tal união causaria ao nome da família. Essa é uma das razões que levam Franz a escrever Uma Carta ao Pai, nesse mesmo ano. Franz entrega-a à mãe, para que a faça chegar ao pai, mas depois de lê-la ela acha melhor não deixar que o marido a leia. Franz chega a escolher um apartamento para ele e Julie, mas dois dias antes do casamento rompe o noivado. Uma nova pessoa entrara em sua vida.
Milena Josenská-Pollak é casada com um amigo de Franz, Ernst Pollak. inteligente e carismática, ela reconhece o talento e as qualidades especiais de Franz. Começam a se corresponder em 1920, e encontram-se apenas ocasionalmente. Milena não é Judia, mas tem parentes judeus. Segundo ela, o marido a trai "cem vezes por ano", e ela encontra conforto em Franz, depois de separar-se. Se foram ou não amantes, não se sabe.
Em 1922, num período de nove meses Kafka escreve O Castelo. A obra mais complexa e talvez mais estranha de Kafka não chega a ser concluída. Aparentemente, Milena é a musa inspiradora da personagem Frieda, e no livro Kafka menciona um café que ela e marido costumavam frequentar em Viena.
Em 1923 Milena e Pollak se reconciliam. Franz rompe o relacionamento e propõe que não mais se vejam nem se correspondam. No verão desse mesmo ano, interessado no judaísmo e no sionismo, Franz começa a estudar hebraico. Depois de trocar duas ou três vezes de professor, chega a Dora Diamant (ou Dymant), uma jovem polonesa, judia ortodoxa, que lê fluentemente o hebraico. Conhecem-se na cidade de Graal-Muritz, no litoral alemão do mar Báltico, e apaixonam-se. Em setembro Franz sai da casa dos pais, onde sempre havia morado, e muda-se para Berlim com Dora.
Embora morem num apartamento de dois cômodos numa pensão, tudo indica que sejam mais amigos do que amantes. Apesar da falta de dinheiro, tão escasso que mal dá para pagar a conta de luz, ele parece mais feliz do que nunca. É nesse período que escreve Uma Pequena Mulher e Josephine, a Cantora, ou O Povo dos Ratos.
No início de 1924 a saúde de Franz piora sensivelmente. É internado em um sanatório, depois em outro, e emagrece muito. Em abril é transferido para a clínica próxima a Viena. Pede Dora em casamento, embora esteja praticamente definhando, mas o pai dela reprova o pedido. Franz parece se contentar com a presença de Dora ao lado de seu leito  com a constante dedicação e carinho.
Em maio recebe a visita de Max Brod e concede-lhe autorização para publicar Um Artista da Fome, com algumas outras histórias. Reforça ao amigo o pedido para que ele queime todas as suas obras, por considerá-las insignificantes das obras originalmente idealizadas.
Em 3 de junho de 1924 Franz Kafka morre, antes de completar 41 anos. Dora fica inconsolável. O sepultamento é realizado uma semana depois, no Cemitério Israelita de Praga.
Na década de 50 a editora judaica Shocken Books, com sede na Alemanha, tenta compara de Felice Bauer as cartas que Franz lhe escrevera, mas ela recusa. Depois de algum tempo, com a saúde fraca e precisando de dinheiro, acaba concordando.
Max Brod não obedece às instruções de destruir as obras de Kafka. Edita e publica quase tudo que Franz escrevera, e também publica  a história da vida do amigo. Em 1939 muda-se para Tel Aviv, na Palestina, levando consigo quase todos os manuscritos de Franz, para fugir dos nazistas. Max morre em 1968, com a reputação do homem que desrespeitara o último desejo do amigo no leito de morte, ou do homem que havia tirado Franz Kafka do anonimato e o projetara mundialmente.
Kafka é um símbolo da literatura moderna, um dos autores mais estudados e comentados do século XX. Logo após a morte do escritor, Milena Jesenská fez publicar um necrológio de sua autoria em um jornal tcheco que se encerrava com as seguintes palavras: "Kafka escreveu as obras mais significativas da moderna literatura; a verdade crua nelas presentes faz com que pareçam naturalistas, mesmo quando falam em símbolos. Elas refletem a ironia e a visão profética de um homem condenado a ver o mundo com tão ofuscante clareza que o considerou insuportável, e partiu para a morte".

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